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Krishnamurti - A Terra Sem Caminho
De todos os ditos gurus e mestres espirituais, Krishnamurti sem dúvida foi o mais controvertido. Até porque foi o único que se tem notícia a rechaçar veemente tal posição. Em toda sua vida, jamais aceitou ser tratado como tal, apesar de sua longa vida proferindo palestras e ensinamentos preciosos parecerem indicar o contrário.
UMA TRAJETÓRIA SINGULAR
Jiddu Krishnamurti nasceu na Índia em 1895 e a partir dos treze anos de idade passou a ser educado pela Sociedade Teosófica, que o considerava o veículo para o "Instrutor do Mundo", cujo advento proclamavam. Krishnamurti logo emergiu como um poderoso, descompromissado e inclassificável instrutor, cujas palestras e escritos não estavam vinculadas a nenhuma religião específica, não sendo do Oriente nem do Ocidente, mas para o mundo todo. Em 1919, inscreveuse na tradicional Universidade Sorbonne, em Paris. Mas nenhuma experiência intelectual conseguiu mudar seus pensamentos. Sem se opor ou combater as idéias de outras pessoas, seitas, religiões ou filosofias, ele simplesmente não as aceitava, como não aceitava a autoridade e o conhecimento dos outros. Seu objetivo era encontrar a Verdade por si mesmo.
Repudiando com firmeza a imagem messiânica, em 1929 dissolveu dramaticamente a grande e rica organização que havia sido criada à sua volta, e declarou ser a verdade "uma terra sem caminhos", à qual nenhuma religião formalizada, filosofia ou seita daria acesso.
Nesta ocasião, um repórter, considerando um ato espetacular dissolver uma organização com milhares de membros, ender sejam livres, não para me seguir, não para fazer de mim uma gaiola, que se torne uma religião, uma seita. Deverão estar livres de todos os temores (...), do medo da espiritualidade, do medo do amor, do medo da morte, do medo da própria vida".
PENSAMENTOS SURPREENDENTES
As idéias e pensamentos de Krishnamurti se manifestam em frases fortes, diretas, sem dar margem a interpretações dúbias: "Seguir outra pessoa é maléfico, não importa quem seja". Para ele, essa regra não tem exceções. Ao longo da vida, Krishnamurti não criou qualquer organização de seguidores e não autorizou ninguém a se tornar intérprete de seus pensamentos e mensagens. Ele só pediu que, após sua morte, as inúmeras palestras, conversas e textos de sua autoria fossem preservados e colocados à disposição do público. |