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Bruxismo, mais um inimigo das mulheres
A doença apresenta maior incidência no sexo feminino:de cada 10 indivíduos afetados pela disfunção, 9 são mulheres.
Caroline Von Ameln Ferreira
O bruxismo, cujo nome nada tem haver com bruxos e feitiços (a palavra tem origem no idioma grego, onde "bruxus" significa atrito), é denominada atualmente por pesquisadores e pela comunidade científica como
Disfunção de ATM ou Desordens Temporomandibulares (DTM). Dependendo de quem está discutindo esta doença, pode ser chamada por um grande número de nomes (DTM, Disfunção de ATM, síndrome Dor Miofascial, síndrome de Costen). Esta disfunção é caracterizada como um hábito noturno e/ou diurno de ranger e/ou apertar os dentes, causando funcionamento anormal das estruturas orofaciais, que incluem articulações, músculos, ligamentos, etc. A articulação da boca, como por exemplo a do joelho, apresenta um menisco - o disco articular - que segue o movimento da boca, acompanhando a mandíbula quando ela se abre e fecha. Em média realizamos mais de 2.000 movimentos diários, sendo a articulação temporomandibular a mais exigida do nosso corpo.
As causas do bruxismo ainda não são totalmente conhecidas, mas sabe-se que, na maioria dos casos, o estresse está associado a ele. Fatores funcionais, como o mau posicionamento dos dentes na arcada, má oclusão, postura inadequada da cabeça também podem desencadear o processo. Mas, de acordo com o Dr. Jorge Von Zuben, presidente da Sociedade Brasileira de ATM e Dor Orofacial, até mesmo doenças como diabetes, mal de Parkinson e distúrbios do sono têm ligação com o problema.
Quando ocorre algum desequilíbrio músculo-esquelético na região, causado nesse caso por movimentos mandibulares sem nenhuma necessidade (hábitos parafuncionais), tais como: morder objetos, roer unhas, mastigar chicletes ou posicionamento inadequado da cabeça (principalmente para frente), estresse, apertamento dos dentes, são gerados espasmos na mandíbula e/ou deslocamentos do disco e as dores decorrentes podem se estender até a coluna cervical, ombros e cabeça. A dor de cabeça é, talvez, a mais freqüente de todas as queixas de dor local intermitente, a grande maioria destas dores são manifestações secundárias, sendo assim a dor de cabeça primária bastante rara.
Segundo o Dr Leonardo Marchini, cirurgião-dentista formado pela FOSJCUNESP e professor de Desordem Crânio-Mandibular na UNIVAP, em São José dos Campos, a DTM é facilmente confundida com enxaqueca, problemas neurológicos, otite e dores de dente. "Ainda é comum a demora para o diagnóstico correto em função dos sintomas, que levam à procura de profissionais de diferentes áreas", explica o especialista. |