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Como sufocar e salvar um planeta azul
Luiz Jacques Saldanha, um ativista no olho do furacão, dá algumas respostas.
Luiz Jacques Saldanha, 61 anos, é porto-alegrense, advogado e engenheiro agrônomo. Esteve no olho do furacão de temas ambientais, como o dos agrotóxicos, agricultura ecológica, reciclagem de lixo e organização de seus catadores, consumo consciente, cooperativismo alternativo, educação ambiental em todas as suas gamas e muitos outros. Um ativista do conceito de conviver equilibradamente com o ambiente e seus seres, sejam humanos ou não. Suas informações e opiniões merecem a reflexão de todos os leitores.
Jornal Bem Estar: Fala-se em aquecimento global como se fosse um assunto totalmente conhecido de todos. Mencionase palavras, como poluição ou agente poluidor, como se fossem de domínio público e entendêssemos tudo o que encerram. Mas o que é ainda importante ressaltar sobre o aquecimento de nosso planeta?
LJS: O que está se chamando de aquecimento global está intimamente associado a uma visão de mundo, originária da civilização ocidental, que se estabeleceu definitivamente na humanidade a partir da revolução industrial, do final do século dezoito, e que se ampliou planetariamente depois da metade do século dezenove. Iniciou-se a partir da troca da força motriz das atividades humanas: o músculo do cavalo ou do homem pelas máquinas movidas a carvão e depois pelo petróleo. Este foi o fato gerador desta mudança climática. A humanidade, não se dando conta de que estava se contrapondo ao trajeto da história escolhido pela Terra, acabou estabelecendo, inconscientemente, uma luta contra a Vida gestada por ela.
Como assim?
LJS: Historicamente, este universo, como conhecemos hoje, iniciou-se, conforme a ciência moderna, a partir de uma grande explosão, o Big Bang, há quinze bilhões de anos atrás. E há uns quatro e meio bilhões de anos, o planeta Terra condensou- se. Um bilhão de anos depois, há uns três e meio bilhões de anos, se formarem as primeiras formas de vida, desencadeando em toda esta biodiversidade que conhecemos atualmente. Neste grande processo de transformações e transmutações, o planeta passou por várias hecatombes. Nestes processos geológicos que ocorriam conjuntamente com a vida que se estabelecia, foi se formando uma atmosfera bem diferente da que temos hoje. Houve um tempo que ela era preferencialmente formada por derivados do carbono. Não detalhando os mecanismos geo-químico-bio-físicos, ocorreu uma completa transformação desta atmosfera, predominantemente de carbono, para a atual, rica em oxigênio.
Então, as primeiras vidas que apareceram na Terra viviam dentro de uma atmosfera riquíssima em derivados de carbono e só depois se deu a passagem deste elemento para o oxigênio?
LJS: Exatamente.
E o que aconteceu com o carbono queimpregnava a atmosfera?
LJS: Como o planeta não desperdiça nada e transforma tudo para haver um equilíbrio geo-químico-bio-físico, estranhamente dinâmico e mutante, mesmo dentro de todas as grandes manifestações das forças da natureza, este carbono foi todo integrado, de várias formas, tanto à crosta terrestre como ao seu magma interno incandescente e também em algumas formas de vida. Entre as mais conhecidas estão o carvão mineral, o petróleo, tipos especiais de rochas e nas carapaças de animais marinhos.
Foram nestas fontes de carbono que a civilização se baseou para impulsionar sua revolução industrial...
LJS: Perfeito. De acordo com vários cientistas, como o pai da Teoria de Gaia (que reconhece a Terra como um grande complexo organismo integrado de vida), James Lovelock, este foi um grande equívoco da civilização ocidental. Ela vai a estas fontes, não se pergunta (vale a ressalva de que naquela época não se tinha o conhecimento que se tem hoje quanto a estas transformações planetárias) e transfere gradativamente o elemento carbono que o planeta Terra havia colocado e fixado no seu âmago, no seu ventre, novamente para a atmosfera, que fica assim novamente mais rica em carbono como a dos primeiros tempos. Este carbono aparece de várias formas, como gás carbônico ou dióxido de carbono (CO2), como monóxido de carbono (CO), metano (CH4) e noutras moléculas. |