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Remédios - Ajuda Perigosa
Pesquisadores afirmam que remédios em excesso trazem mais males que benefícios.
Um levantamento feito pela empresa de pesquisa Market Analysis Brasil revelou que, mesmo considerando ter boa saúde, a maioria das pessoas consumia pelo menos um medicamento. Realizada com 800 pessoas, com idades entre 18 e 69 anos, de oito capitais do país, a pesquisa revelou que 63% dos entrevistados que disseram ter ótima saúde consomem remédios. O índice é praticamente o mesmo daquele obtido no grupo que disse ter saúde ruim - 64% usam esses produtos.
O estudo também estabeleceu relações com o grau de exposição à mídia. Quanto maior é a freqüência com que os entrevistados assistem à televisão, ouvem notícias em emissoras de rádio, lêem jornais e navegam na internet, maior é o consumo de remédios - 75% das pessoas que apresentaram alto grau de exposição aos meios de comunicação compraram algum medicamento.
CRIANÇAS SOFREM
A criança mexia na cabeça sem parar, colocava a mão perto do ouvido com muita freqüência e não conseguia dormir direito. Diante do quadro, a mãe não teve dúvidas: "É otite". Foi buscar um antiinflamatório na sua farmácia caseira e aplicou o remédio no ouvido do filho de um ano de idade. Mesmo com três aplicações diárias, a criança não melhorava. Depois de dois dias, ao fazer um cafuné na criança, a mãe descobriu o que realmente a incomodava: "Era piolho".
O erro cometido pela publicitária gaúcha Sandra Maria Rodrigues, 37, com seu filho Joel, não foi o único. "Vou ser franca, esses enganos acontecem de vez em quando. Penso que é uma coisa e começo a tratar, mas, quando chego no pediatra, é outra", diz Sandra, que anda sempre com remédios na bolsa. "Se o nariz começa a escorrer, dou Naldecon (analgésico e antitérmico), que é o que normalmente as mães dão; se está enjoado, dou Tylenol (analgésico e antitérmico). Mas todos esses são remédios fracos."
Fortes ou fracos, é preciso ter sempre em mente que a diferença entre o remédio e o veneno está na dose. Ou, como prefere a médica Lúcia Ferro Bricks, "a diferença está em quem receita o medicamento. O uso indevido do paracetamol (princípio ativo do Tylenol, na lista dos remédios ‘fracos’ da publicitária), por exemplo, pode causar lesões no fígado e até a morte", afirma.
Pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas (SP), Lúcia escreveu um estudo recente com o objetivo de rever a funcionalidade dos remédios dados a crianças para infecções respiratórias. Com o fácil acesso aos remédios, o forte apelo da publicidade e a recorrente alegação da "falta de tempo" para levar os filhos ao médico, o uso indiscriminado de medicamentos em crianças tem se tornado um hábito. E, diferentemente do que muita gente pensa, mesmo os remédios que podem ser comprados sem prescrição médica podem causar danos irreversíveis à saúde da criança, se usados de forma incorreta ou sem necessidade. |