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foto: Patrick Nijhuis
Ética no Consumo

Melhorar o mundo, proteger a natureza, não maltratar animais. A militância "do bem" amplia sua ação e pressiona as empresas onde elas são mais sensíveis, em seu faturamento.

O movimento pela ética no consumo é internacional. Na Grã- Bretanha, pesquisa do Instituto Mori mostra que 52% dos britânicos já boicotaram alguma marca ou grande corporação. Na Europa, em geral, é cada vez maior a participação do consumidor na escolha dos insumos pelas empresas. A crescente pressão por madeiras certificadas, por exemplo, fez que diversos importadores abrissem mão de comprar madeira brasileira, retiradas da Amazônia ilegalmente. Na Alemanha há diversas organizações de consumidores que trocam informações entre si sobre as atividades das empresas. Um boicote organizado pode ser um duro golpe não só nas vendas, mas na imagem da empresa, que muitas vezes tem dificuldades em recuperar seu prestígio (e faturamento).

No Brasil, segundo dados do Instituto Akatu, estima-se entre 16% ou 17% da população o número de consumidores conscientes. Temos cerca de 6% da população classificados com o mais alto nível de consciência. Desse número, surpreendentes 52% são pessoas das classes C e D, e 37% delas têm só a educação fundamental. É gente que começa a ter a exigência de ética no consumo porque aprendeu que economizar água e energia é garantia de qualidade de vida.

Mas, segundo Napoleão Miranda, professor da UFF que participou de quatro grandes pesquisas sobre consumo sustentável, publicadas pelo Instituto Superior de Estudos da Religião (lser), esses brasileiros são conscientes na hora de consumir, mas a falta de dinheiro impede que boas intenções cheguem à prática: "A pesquisa do Iser mostrou que muitos querem comer sem agrotóxicos. Mas a maioria gasta 40% da renda com alimentação e não pode triplicar seus gastos com arroz e vegetais orgânicos, muito mais caros. Além do que seus boicotes produzem pouco efeito, por seu baixo poder aquisitivo".

MILTÂNCIA PESSOAL COTIDIANA

O terapeuta e mestre de capoeira Jorge Itapuã Beiramar, de 28 anos, é um militante da cidadania 24 horas por dia. Logo de manhã, em vez de tomar um leite ou comer um biscoito com requeijão, toma um suco verde, feito à base de folhas e brotos. Isto porque, além de valorizar o alimento saudável, Jorge se recusa a consumir qualquer produto da marca Nestlé, que ganhou o "prêmio" de Irresponsabilidade Corporativa no fórum alternativo "Olho Público", em Davos. Depois desta "superalimentação", Jorge dá aulas de capoeira até o meio-dia, quando almoça, por exemplo, um tabule de trigo germinado, que ele mesmo botou para germinar dois dias antes. Isto porque ele não come carne, como um protesto ativo contra a devastação da natureza provocada pela agropecuária extensiva e maus tratos aos animais.

Jorge é exemplo do novo militante político que se multiplica no Brasil e no mundo. É gente que não compra produtos Maggi, do mega devastador ambiental Blairo Maggi, governador de Mato Grosso e maior plantador de soja do mundo, e, nem que pudesse, compraria roupas na Daslu, em protesto contra o envolvimento de seus donos em escândalos de tráfico de sonegação.

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Que todos os méritos gerados por esse trabalho beneficiem e tragam felicidade para todos os seres.
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