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Um novo olhar sobre a Maturidade
Há cem anos, a expectativa de vida média era de 50 anos, ou seja, hoje temos um "extra" de 30 a 40 anos. Como você quer viver esta cota a mais de vida?
Há pouco mais de 100 anos, a média da expectativa de vida mal ultrapassava os cinqüenta anos. Uma mulher de trinta era uma balzaquiana, quase matrona. Um homem quarentão apresentava aquelas suíças solenes, emitindo a mensagem que a vida ali era tão movimentada quanto... a da Suíça.
Hoje a expectativa de vida quase duplicou. Ganhamos uma sobrevida que freqüentemente ultrapassa 30 a 40 anos com relação àquela data. E mais, este período "extra" pode ser vivido com muito mais qualidade do que jamais foi possível, seja do ponto de vista físico, mental, emocional, social e espiritual.
Várias concepções entendem que o envelhecimento se inicia em torno dos 30 anos. O declínio funcional e progressivo do homem é inevitável e está relacionado a três fatores fundamentais: a genética, o meio ambiente e o estilo de vida.
GENÉTICA - Representa nossa herança genética ancestral e suas potencialidades. Ela é responsável por cerca de um quarto deste processo. O meio ambiente e o estilo de vida são os responsáveis pela maior parte do processo de envelhecimento e morte precoce.
MEIO AMBIENTE - Refere-se à qualidade do ar que respiramos, da água que bebemos, da terra e dos processos com os quais são produzidos nossos alimentos e dos poluentes e resíduos tóxicos despejados neles e que nos afetam profundamente, dentro e fora de nossos lares. Obviamente, respirar fumaça com a freqüência que o fazemos nas grandes cidades, comer alimentos lotados de agrotóxicos, conservantes, emulsificantes, corantes, envenenantes e antiestragantes, e demais siglas, não pode ajudar ninguém a ficar saudável e longevo. E as calorias, as frituras, os excessos de carne, o fast food - todos sagrados no dia-a-dia daqueles que se preparam para ficar mal no futuro.
ESTILO DE VIDA - Neste item fica a maior parte do quinhão. O estilo de vida que escolhemos viver é o maior responsável pela melhor ou pior funcionalidade de nosso organismo e por sua manutenção. Se pensarmos no corpo como uma máquina, um automóvel, digamos, constataremos que o que importa no carro não é tanto o ano de sua fabricação, mas seu estado de conservação. De que adianta um carro seminovo mau conservado diante de um mais antigo, mas em estado impecável de conservação?
O mesmo vale para o estado de saúde do corpo humano, do ser humano. Encontramos pessoas jovens com aparência e condições físicas e mentais de velhas, assim como encontramos gente com idade mais avançada em ótimas condições de saúde física e mental. Ao investigar o porquê disso constataremos o quanto o estilo de vida influenciou no envelhecimento precoce de uns e na manutenção da jovialidade de outros.
IDADE CRONOLÓGICA E IDADE BIOLÓGICA
Estamos falando de dois parâmetros. A idade cronológica é aquela que está na certidão de nascimento, a biológica é a que indica nossa idade orgânica-funcional. O que importa é fazer a manutenção da idade biológica, para bem conservá-la. Embora avanços da ciência e da medicina genética sejam alcançados diariamente, o que temos em nossas mãos hoje, para podermos desacelerar o processo de envelhecimento, é o controle do meio ambiente (relativamente, pois depende de muitos fatores) e, sobretudo, do estilo de vida.
Quando procuramos ambientes naturais, o máximo possível desprovidos de poluentes e livres de resíduos tóxicos para vivermos ou para o nosso lazer, reduzimos o potencial de exposição a elementos nocivos e criamos uma situação favorável para a saúde pessoal. O mesmo acontece quando procuramos água mineral para beber, alimentos sem agrotóxicos e evitamos os excessos da alimentação hipercalórica.
Contudo, reduzir os fatores de risco ambiental é parte importante, porém não é tudo. Para assegurar a saúde plena em uma idade avançada, ou reduzir o declínio biológico ao longo da vida é preciso reavaliar o estilo de vida. Isso significa:
1. Incluir exercícios freqüentes e atividades físicas moderadas;
2. Atitude mental positiva;
3. Gerenciamento do stress;
4. Alimentação e suplementação nutracêutica adequada;
5. Vida social ativa e criativa.
APROVEITANDO O AGORA!
Hoje já se fala dos anos subseqüentes aos 60 como "A última juventude". Normalmente nesta fase da vida as pessoas já criaram seus filhos, têm uma vida financeira mais estável, um maior equilíbrio emocional e uma sabedoria inerente a quem já teve muitas experiências na vida. Se não ficarem presas aos signos da sociedade de consumo - de hipervalorização da juventude, o que provoca sentimentos angustiantes, de estar descartável, fora de possibilidade da felicidade -, este pode ser um bom momento da existência.
Vários exemplos de pessoas com mais de sessenta anos e que estão de bem com a vida aparecem frequentemente: Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Mick Jagger, Paul Mc Cartney, Marieta Severo... Uma coisa em comum entre elas é o fato de terem uma atividade que as entusiasma, de terem projetos, sonhos, ideais. E de se cuidarem bem.
Estas possibilidades estão ao alcance de cada um de nós. Afinal, passar dos sessenta é uma dádiva, uma sorte, uma conquista. Há cem anos atrás, era um milagre!
UM BOM TEMA PARA SE PENSAR
O BEM ESTAR traz nesta edição uma seleção de matérias sobre este tema que interessa a todos, inclusive os jovens, pois apesar do pouco contato com a temática, ela será inevitável em suas vidas, daqui há alguns anos.
Leiam, nos comentem, escrevam.
Dados: José Cláudio Belfort |