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O Singular Vício da Paixão Amorosa
Pessoas que buscam a paixão constantemente podem ser adictas a uma emoção forte e primitiva, comuns aos bebês no período da amamentação.
Muitos que estudam a psicologia humana comparam o "estado de alteração" embriagador, ainda que doloroso, da Paixão com a sensação de "estar fora de si" produzida por diversas drogas. Um grande número de pessoas se torna adicto a romances que não lhes permitem realizar-se como pessoas e que acabam, quase sempre, lhes provocando danos pessoais, tanto no campo emocional, quanto nos seus projetos de vida.
As sensações iniciais de euforia quase sempre desdobram-se em situações limites, que incluem desespero, senso de inadequação e perda profunda. Muitos confundem estes arroubos, empolgações inebriantes, com o amor autêntico. Vários livros já foram escritos sobre este tema, especialmente os dirigidos ao público feminino (ao que parece, o mais afeito a tais sensações). Os mais conhecidos são:"Mulheres Inteligentes, Escolhas Insensatas", que tenta entender e explicar porque mulheres bem resolvidas em vários aspectos de sua vida escolhem homens que as fazem sofrer; e "Mulheres que Amam Demais", um importante livro para grupos femininos de auto-ajuda, que trata do mesmo tema: mulheres que entram em trajeto de sofrimento e autodestruição por "amarem" demais.
A psicanálise aprofunda a questão, identificando as sensações provocadas pela Paixão com as que são sentidas pelo bebê em relação à sua mãe na chamada"fase simbiótica". Neste momento da vida,a criança julga-se fundida à sua mãe comas sensações de plenitude trazidas pelocontato físico materno (que a alimenta,aquece, suprime suas dores). A identificaçãoe literal paixão por aquele ser especialsão responsáveis pelo nome da fase:de simbiose, de fusão completa com o outro. As pessoas quando apaixonadas acreditam que o outro a suprirá de todas as suas necessidades e satisfará todos os seus desejos. Há uma necessidade ansiosa de estar em contato com o outro a cada momento.
Claro que esta sensação pode ser substituída por sentimentos de desespero quando de sua ausência. A criança chora desesperada pela ausência mesmo momentânea da figura materna. A dificuldade da pessoa apaixonada de se afastar do seu objeto de devoção, sua respiração ofegante e a necessidade premente de estar logo em contato com o outro são semelhantes às do bebê em estado de privação. Há um sentimento de desespero no ar que respiramos apaixonados.
APAIXONADOS POR SI MESMOS
Dizem que os apaixonados apaixonam-se, na verdade, por si mesmos, por seus sentimentos, sendo o outro somente a tabula rasa de suas projeções. Isto muitas vezes se evidencia após se passar pelo estado alterado da paixão, quando só aí muitos se dão conta que se apaixonaram por pessoas que não tem a mínima afinidade e que normalmente não gostariam nem admirariam. "Não sei como eu pude me deixar levar por aquele poste (ou peste). Acho que estava cega!", arrependem- se. Em muitos casos a ressaca passada não previne a embriaguez seguinte, todo mundo sabe. Afinal, a tendência é bem mais antiga.
A Paixão sugere um estado alterado em que a consciência e a razão pouco intervêm. Não é a toa que os adjetivos "cega", "violenta", "avassaladora" acompanham sua denominação. Os crimes mais desarrazoados são chamados de "passionais", e as pessoas, quando apaixonadas, ficam reconhecidamente mais embotadas, não conseguindo discernir direito suas opções, nem conversar sobre outros assuntos que não seja seu próprio estado de encantamento. |