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Confusão nos supermercados

Existem produtos que podem ser confundidos com derivados do leite ou azeite. São os "clones".

Com embalagens semelhantes e dividindo a mesma seção na prateleira do supermercado. Mas, por dentro, quanta diferença! Bebida láctea, óleo composto de soja e oliva, requeijão com amido, creme vegetal e mussarela de búfala com leite bovino são alguns dos produtos que muita gente já deve ter colocado no carrinho de compras pensando que levava para casa, respectivamente, iogurte, azeite, requeijão, margarina e mussarela 100% de búfala.

Os produtos "clones" são mais baratos. No entanto, quando o que está em jogo é o teor nutricional, o equívoco na escolha pode significar uma alimentação prejudicada. Um exemplo: no caso das embalagens que parecem de iogurte ou de leite, mas que, na verdade, trazem uma mistura do produto com o soro de leite o que se consome é menos cálcio, menos proteínas e menor valor energético.

Entidades como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) destacam dois motivos que levam à confusão na hora da compra. O primeiro é que as embalagens desses produtos costumam ser bastante parecidas - em alguns casos, elas têm os formatos e os rótulos praticamente idênticos aos dos convencionais. "Os rótulos até trazem os nomes corretos, mas na famosa letra miúda, e isso pode confundir o consumidor", afirma Alessandra de Macedo, coordenadora da área de testes de produtos da Pro Teste.

O segundo fator é a disposição dos produtos nos supermercados, encontrados na mesma prateleira. Segundo Lorena Gontreras, coordenadora de testes e pesquisas do Idec, não há nenhuma irregularidade na comercialização de bebidas lácteas. Diz também que não existe lei que impeça os fabricantes de usar embalagens parecidas às dos iogurtes ou que diga que os supermercados precisam colocar produtos diferentes em prateleiras separadas.

"Nós fazemos o papel de alertar o que não está claro ao consumidor. Mas, infelizmente, resta a ele perder mais tempo em cada seção, lendo os rótulos com atenção redobrada para não comprar gato por lebre", alerta. Ler com atenção os rótulos pode significar perder alguns minutos, mas ganhar muito em saúde e responsabilidade.

 

 
 
Tim & Annette
Perigos do sedentarismo

Pesquisa constata um dado alarmante: cerca de 50% das pessoas são sedentárias no Brasil.

É de conhecimento da medicina e senso comum há tempo que há quatro medidas simples que podem ser tomadas por todos com alto impacto sobre a saúde: deixar de fumar, perder peso, manter uma dieta equilibrada e praticar atividades físicas. Portanto, é muito preocupante o resultado da pesquisa encomendada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) que identificou que metade dos brasileiros é sedentária.

Falta de exercícios e maus hábitos alimentares são os principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares, que, no Brasil, matam 300 mil por ano. Enquanto a taxa de sedentários entre 18 e 24 anos é de 39%, entre 60 e 70 anos ela chega a 57% - as pessoas vão deixando de fazer atividade física justamente quando ela se torna mais importante para a sua saúde.

Cabe à política pública estimular a prática de exercícios. Além do efeito positivo para a saúde e o bem-estar de cada um, também haveria ganhos econômicos. População mais saudável é sinônimo de menos despesas na cada vez mais onerosa conta do SUS.

Convencer uma massa de dezenas de milhões de sedentários a iniciar atividade física e mantê-la é um desafio, mas não chega a ser uma tarefa impossível. A Finlândia, por exemplo, que nos anos 70 apresentava uma das maiores taxas de doenças cardíacas, tabagismo e alcoolismo da Europa, deu início a uma série de programas sanitários.

Determinou a redução dos teores de gordura do leite, baniu o fumo em lugares públicos, incentivou competições e atividades esportivas e ofereceu verbas extras às cidades que fizessem a população baixar seus níveis de colesterol. Resultado: entre 1982 e 1997, a ocorrência de doenças cardiovasculares diminuiu 63%, proporção similar à redução de câncer de pulmão. É atualmente o país com menor índice de sedentários - apenas 8%.

É um caso de sucesso pessoal de seus habitantes e de saúde pública. Cada um particularmente, e o Brasil como nação, deveriam levar em conta essas informações e o exemplo finlandês e adaptá-lo às suas realidades.

 

 
 
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